sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Outro... Amor? (SPOILER DO FILME. NÃO LEIA CASO VOCÊ NÃO O TENHA VISTO AINDA)

Este post vai ser curto. Amor, filme francês dirigido por Michael Haneke, que já começando a criticar, abusa dos planos cansativos e estáticos, com a intenção de nesses momentos, acredito eu, fazer com que o espectador queira se matar com um alfinete no pulso, quase conseguiu contar uma história dramática que  embora tenha alguns elementos clichês padrão, fosse interessante e comovente. Mas ao contrário só conseguiu colocar um puta interrogação na cara dos pobres bobos que tiveram a infelicidade de comprar ingressos para ver o filme com um roteiro de cena final incrivelmente pobre e revoltante:

(...)Velho esquizofrênico sai de seu apartamento. 

---- Corte seco ----

Plano geral sem movimento da sala, interminável

---- Corte seco ----

Plano do corredor com portas do quarto, interminável

---- Corte seco ----

Plano fechado na porta. A personagem de Isabelle Huppert entra, fitando o local vazio e sem expressão de raiva, ódio, dor, alívio, alegria ou qualquer outro esboço de sentimento. 10 segundos parada na porta. Personagem entra no apartamento.

---- Corte seco ----

Personagem de Isabelle Huppert anda pelo corredor de acesso ao quarto da mãe. Sem expressão.

---- Corte seco ----

Personagem de Isabelle Huppert  adentra a sala e senta-se no sofá. Olha para a direita.

---- Créditos ----


Embora eu tenha contado a cena final, se você deseja assistir este filme, assista apenas os 5 primeiros minutos, porque o filme já começa no fim e tudo o que você vai saber de novo durante o filme inteiro está contado nesses 5 minutos.. Se ele fosse contado de trás para frente, acredito eu que Michael Haneke até poderia ter tido um certo êxito, já que, narrando uma história meio clichê, poderia nos ter emocionado mais com cenas elaboradas dos dois personagens em questão. Nem em uma das partes mais psicologicamente fortes e impactantes, que não vou revelar o que é (para que,se ainda assim você cair na besteira de ver o filme, ter pelo menos o gosto dessa surpresa), não soube ser bem explorado. Teve o impacto inicial, mas depois foi frio, chato e destruiu toda a "mágica" que se tentou colocar em mérito de um dos personagens. Fazendo uma analogia, é meio que como se o Robin Hood ajudasse todo mundo durante o filme inteiro, mas no fim dissesse "foda-se! agora o dinheiro vai ficar só comigo!"

O filme em si trata da história de dois aposentados quaisquer, que não tem nenhum atrativo para captar a atenção de quem está assistindo.  Fala da história de Georges e Anne, que poderia ser a história do tio que montou um bar na esquina, que veio da bahia e sua esposa, do vizinho do lado e da sua mulher ou de qualquer história de vida comum. Talvez o tio da bahia tivesse uma história mais ampla e profunda do que os personagens citados, visto que a única coisa que se descobre ao longo das intermináveis 8 horas e meia de filme é que a mulher era professora de música. E Fim (para alegria geral da sala).

Tinha tudo para ser um filme incrível, comovente e emocionante... 

Por outro lado, se for analisar que a intenção do diretor era justamente mostrar uma história crua, realista e sem esse dramalhão que justamente as pessoas esperam ao ver um filme nesta temática, afirmo que ele foi extremamente bem sucedido.

Palmas para a Atriz Emmanuelle Riva, que mesmo com esse roteiro maçante, exageradamente estático e chato, conseguiu uma atuação brilhante e convincente.


*Não sou crítico de filmes. Mas esse merecia...

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