Saudades do meu mundo... Sim. Pode parecer loucura, até mesmo para mim. Se em alguns anos eu por acaso ler essa postagem vou lembrar que neste exato momento ela estaria soando incoerente... Mas sinto saudade da época em que eu morava em Uberaba. Não é nada parecido com querer voltar para lá. Alias, é bem longe disso... Queria trazer certos de uma época aqui para onde eu estou. Talvez o arrependimento tenha sido de não ter começado antes... Não faço a mínima idéia de onde eu quero chegar, mas sei que lá não é o lugar. Mas algumas coisas de lá fazem falta neste exato momento...
Queria minha turma musical de volta... Sim, das (poucas) coisas que eu sinto falta, essa é uma e muito forte. Sinto falta daquela ansiedade para que logo chegasse o fim de semana e a gente estivesse ali, juntos. Muitas histórias aconteceram em nossa roda. Boas, ruins, sem o menor sentido e essenciais.
Dentre todas as besteiras legais sobre o que demos nossas risadas, lembro bem de uma noite em um aniversário, e eu tinha terminado um namoro super conturbado com uma garota que namorou o irmão de uma conhecida (sim, uma bagunça), e estava em uma chácara, com alguns desses amigos de lual, mas sem meu violão. Minha condição de ermitão de uma possível vida passada sempre justifica coisas como a que aconteceu neste dia, mas enfim... Lembro que lá pelas tantas, peguei uma garrafa de cerveja de 600 ml, botei meu óculos escuro e fui para o estacionamento. Era noite, e embora mais tarde uma amiga tenha vindo me consolar, achando que eu estava chorando, coloquei os óculos apenas por querer perder meu olhar na escuridão dos meus pensamentos... E eu estava pensando (sim já naquela época) o quanto eu estava infeliz. Não sei explicar que tipo de angústia que eu tinha em Uberaba, mas hoje não estando mais lá, e ainda tendo a mesma angústia, vejo com um pouco de clareza que o que eu quero é me encontrar...
Antigamente eu sentia falta de uma garota ao meu lado... Depois mudou esta necessidade à de me desenvolver profissionalmente... E agora eu ainda estou perdido, sobretudo por conta própria neste momento. Essa coisa de não criar vínculos com nada nem com ninguém apenas me faz definir que este não é o meu mundo, muito embora eu esteja em um estado de felicidade absurdamente maior do que o que eu tinha em Uberaba...
Às vezes eu vejo as pessoas indo para baixo e para cima, os carros passando, gente correndo, gente parada, gente bem sucedida, gente que não tem nem um teto... Qual o sentido disso tudo?
Acho que nunca vou deixar de ver minha vida como uma estrada. Sempre pensava, imaginava como seria minha saída rumo à redenção. Como seria pegar a estrada e finalmente chegar a meu ponto de plenitude de vida. E agora aqui, ainda vejo estrada adiante... Muita...
Pois bem, gostaria de saber o que está faltando por aqui, e porque essa nostalgia louca e desconhecida sempre habita meus pensamentos. Ao menos, depois de 28 anos, eu pareço estar mais perto de onde eu preciso chegar, porque antes, o céu era muito cinza, e só a alvorada me salvava. Hoje em todo caso, o dia é mais claro, o firmamento é azul e o sol tem um laranja diferente, que me remete àquelas belas manhãs que eu vivi com tanta intensidade há alguns anos atrás...


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