quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Outro... E a falta que faz...

Saudades... Esse sentimento um dia talvez me leve a morte. Não por ser uma enfermidade, não por ser prejudicial à saúde (em doses baixas ou altas), não por ter um motivo ou um "eu especial".
A saudade é uma sorrateira e cruel companheira. Não se dá nome a ela, nem lugar. Não se classifica, nem se qualifica. Ela apenas está ali, sentada num canto. Saudade não tem face as vezes. Ela apenas se torna uma sombra, um vulto... Você não a vê, mas a sente. Ela é descarada. As vezes te cutuca de leve, e você passa dias e dias olhando para trás e tentando ver quem te encostou. Ela também é abusada, pois te invade de formas que nenhum outro sentimento jamais fez (ou poucos fizeram).
A pior das saudades é a saudade sem razão. É aquele tipo de saudade que você não consegue descobrir do que se trata. É uma falta tão grande, um vazio tão indescritivelmente denso e palpável que chega a ser terrivelmente doloroso. Doloroso porque, quando se sabe do que se trata, se pode ter uma opinião ou uma qualidade de sentimento acerca daquele assunto. Mas quando ela vem do nada, e te propõe que sua vida está em débito consigo mesmo, que você não deveria estar neste caminho que você tomou (ou sim, deveria estar ali, mas em um contexto diferente), você sempre acha que alguma coisa não está em seu devido lugar. 
Aquele que é abandonado por sua amada, aquela que é rejeitada pelo pai, aquele que é roubado ou esse que é agredido de graça... todos esses sabem da sua dor. Todos esses tem um rosto para seus ressentimentos, motivos para sua revolta e para seus sentidos. Mas a saudade amigo, a nostalgia... essa é covarde. Às vezes, um cheiro, uma música ou um deja vù simples bastam para que ela apareça e comece a te encostar. 
E perdido eu sigo nessa solidão, meio trancado em meu peito, sem ter como fugir...

*Da série: Textos que nunca serão lidos por ninguém...

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