quinta-feira, 4 de junho de 2009

O que fica, fica....

Hoje eu estava aqui, bisbilhotando alguns blogs que ja não tem mais nenhuma novidade, outros que se atualizam a cada segundo...
Vi que tem muita gente que vai perdendo aos poucos a sensibilidade, outros vão encontrando novas inspirações... tem coisa que nunca muda, e tem coisa que muda demais.
ACho que se fosse pensar como a vida é inconstante, todo mundo perderia alguns segundos só para observar o quanto as mudanças são grandes... E o quanto você tem que chegar perto delas para perceber o tamanho de cada coisinha que toma uma forma diferente...
Analisando meu atual estado de espírito, percebo que estou passando por cima de muita coisa que certamente eu não passaria há um tempo atrás.
E esse tipo de mudança é a qual estou dizendo...
Se antes eu estava encarcerado na prisão dos meus sentimentos esquisitos e reprimidos, incostantes e bipolares, hoje percebo que saí da prisão. Mas como um ex prisioneiro, me encontro perdido diante de um mundo que mudou tanto que eu nem percebi entquanto estava enclausurado dentro das minhas próprias chamas.
Hoje talvez eu esteja procurando um sentido para tudo. Um emprego novo, um lugar para morar... recomeçar uma nova vida. Mas se na vida real um ex presidiário encontra resistência das pessoas para recomeçar, eu encontro resistência em mim mesmo para acreditar no "novo emprego".
As mudanças que aqui encontro hoje, quando olho para meu interior sempre estão fervilhando. E nunca estão do mesmo jeito que estavam ha um segundo atrás. Esse talvez seja o mais difícil dos dilemas que me encontro, e chego a pensar se eu realmente consegui me livrar do meu carcere privado ou se apenas estou imaginando estar livre.
Não, não é um culto ao passado. Não é uma saudade... É sim um lamento por sentimentos tão intensos terem sido levados pelo desconhecido. Por que sim, ainda hoje, me pergunto o que realmente aconteceu com aquela sensação tão incrível que eu tinha quando me recolhia no meu refúgio, longe de tudo, onde somente seres que existiam na minha cabeça passavam por ali... Hoje tudo mudou. Onde era campo, há uma plantação.
Onde tinha mato, tem terra, e onde tinha terra, tem mato. É exatamente o mesmo lugar que o sol brilha primeiro na cidade. Nada mudou, ao mesmo tempo em que mudaram quase todas as formas do lugar. Não há qualquer relação histórica daquele lugar específico comigo, mas ali eu realmente vejo que consigo entrar dentro de mim. Por que é um lugar igual, que está diferente, embora sempre, durante todo o tempo, esteve como está: VAzio...
Ali não falta nada do que tinha antes. Mas antes, mesmo vazio, era um lugar mágico, de nostalgia desconhecida e de passado inexistente. Agora, até um passado existe ali.
O que fica, sempre fica. Fica escrito ou fica até mesmo esquecido... Mas fica.

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