Por aqueles passos, por aquelas montanhas, lembrei que travávamos uma batalha pela conquista de algum lugar, e por algum motivo deixei que se perdesse pelos labirintos daquele jardim...
Andei 7 dias e 7 noites. Percorri toda a extensão do rio, perdido, mas algo me guiava a seu encontro...
Nesse tempo, lembrei de nossas juras próximo ao lago das 12 quedas, e prometi a você que sempre a protegeria, a qualquer tempo, em qualquer universo... Mas não foi suficiente... Perdi você na batalha dos aflitos. Tive notícias de que o mago do pequeno vilarejo havia te prendido em outro tempo... um tempo diferente do nosso. E viajei durante 6 gerações para tentar te encontrar... Ainda viajo... E ainda tenho mais pela frente...
Na verdade, eu acho que continuo descendo aquele rio, e sei que ainda está viva, por que sinto dentro de mim. Ainda que eu tenha morrido por dentro, o que me move a continuar é a certeza de que ainda poderei te encontrar. Estou amaldiçoado a viver por mais 8 gerações se eu não a encontrar... E a dor não é a da vida ininterrupta sob o solo deste mundo diante de cada século, mas sim o fato de estar privado da sua companhia, nos tempos em que eu colhia margaridas e íamos nos campos de girassois agarrados com nossos sonhos... Ainda estou descendo aquele rio. Eu morri por dentro naquela tarde em que te perdi na linha de batalha. Sei que está viva, por que ainda vivo, e meu coração, ainda que vazio nas trevas, clama por te achar em algum lugar dessas vidas... Confundi você em alguns momentos com outras, mas eu preciso encontrá-la. Preciso colocar paz nesta alma que sempre busca te encontrar...
Encontrei você no albergue, com aquela bata amarela e os óculos... por um minuto, achei tê-la encontrado, mas mais uma vez foi engano... você desapareceu... Logo após, a encontrei na porta do cinema, e nem lembro bem a data... estive com você por alguns minutos, mas novamente você sumiu... Você não consegue me reconhecer, e talvez seja esta a maldição mais terrível a qual tenho que conviver... AS vezes eu queria simplesmente desistir, mas até da auto-destruição fui privado. Não há como fugir. Toda vez que eu consigo morrer, eu acordo em cima de uma cama, num tempo diferente, e com a busca do zero.
Todas as vezes que chego perto do precipício e penso em pular, minhas pernas não obedecem... Não há como voltar aquele tempo sem você do lado... Não há mais pelo que lutar. Sim, sou egoísta... fui considerado um dos melhores cavaleiros naquele tempo, mas hoje não sou mais do que um pobre fraco... Mas continuarei percorrendo o rio, em direção ao seu encontro. Preciso que se lembre de mim quando nos vermos outra vez... preciso que você se lembre quem é...

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